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Meu perfil BRASIL, Sudeste, Mulher, de 26 a 35 anos, Música, Arte e cultura |
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PRÊMIOS RECEBIDOS

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Deparei-me com tanta sombra
cobrando-me um certo decaso comigo mesma
já que não suporto redigir tanta fagulha...
Mas passemos por tantos degraus
de cabeça erguida e à frente
já que nem sempre temos rédea de nosso incerto
Como fazer nascer de rocha
o insaciável néctar do mais
do não sei mais
do nem sei se um dia pôde ser
Mas que fazer senão admitir
que depende de nós adiantar o céu
se de nós parte tanto amor
quanto tanto dissabor
Mas vale esperar
ou esperar de alguém?
Vale saber que o amanhã pode não aparecer
vale sentir como se não houvesse mais
vale querer tanta que dôa a alma
vale saber que a vida é uma só...
Às vezes me canso, desisto
por ser tão incompreensível
não me atina explicações
Subtraio então estes lapsos
breves interrogações
que não me trazem paz
Aprendi este engano
apesar de trair minha vontade
de maldizer este drama
inconstante mas presente
Que incômodo gritante
que vontade aparente
de cismar em mostrar
mesmo ciente que em vão
desperdiçaria minha ira
Alimento-me do tempo
que traz acalanto ao revés descanso minha calma
aguardando dissipar tanta lassidão
Queria sentir menos.
queria achar mais fácil escrever o amor que a mágoa
queria entender porque há mais som no que transcreve a dor que a alegria
queria frear meu ímpeto de descarregar minha lágrima em palavras
aliviando este cinza que a ninguém mais convém
Queria ter domínio sobre mim mesma
no mínimo sobre minha inocência desmedida
de me entregar sem mais, de acreditar em todos
de confiar-me sem receio
Queria dosar meus impulsos
ou conformar-me com atitudes que não queria
ou talvez amar menos ou não ter dúvidas
quando me sinto assim desamparada
Culpa minha , exclusiva minha
culpa de quem ainda crê que o correto é ser fiel consigo mesmo
é não trair um sentimento por futilidade
é não enganar ninguém por pena
é não desejar somente quando se espera uma entrega
Sinto tanta coisa agora que nem lembro bem como
passei horas atrás banhada em tanta certeza
escrevendo, te descrevendo, te trazendo
já que me perco quando me vejo situada
Mas se me sinto assim pequena
de certo que trago em palavras meu escape
minhas linhas confidentes que pouco julgam
porque pouco entendem
Assim como eu
quando tento fazê-lo...
Passo em frente ao passado
tentando vencer a estampa
que me marcou a lembrança
certa da estupidez
Procuro em tela
comparando meus tons
meus pontos, meus lírios
repetindo esta conduta trágica
que tento desprender
Controlo meu anseio
agarrando-me em palavras
suscitando meus valores
revendo meus textos
Não há mais tanta agonia
como outrora ministrei
mas revejo o passado
que viola meu medo
que nem deveria existir
Disfarço em tristes linhas
esta fraqueza somente
já que em mim só há sol
já que em mim só há luz
já que em mim só há céu
Tantas palavras, explicações, teorias
cada seguimento, pensamento aparado
me perco em tantos sentidos
que não satisfazem este fomento
Se entende, em pouco já não o faço
já que não há um só caminho
princípios alterados, renovados
que só preenchem discussão
Triste desfecho de minha escolha
inocente ignorância de uma idéia
tarde demais para retornar
Aceito, pois, esta oscilação
e no topo desta Babel
restrinjo-me a seguir somente
estas preces indiscutíveis
concretizadas em repetições
sem ao menos concordar
com tanta insignificância
Queria apenas escrever-te
e de palavras trazer-te sonho
e de pouco trazer-te riso
e dessas linhas trazer-te a mim
E de tanto procurar ater-me
em palavras de pouco tom
perdi-me no frágil termo
de não saber bem como
dizer-te o que tenho de belo...
E em timidez me arrisco
ao resumir-te em papel
um amor imaculado
sem segredo e sem orgulho
que consome alma e espírito
que apenas sente e ama
sem a espera de um mais...
"Tinha os olhos de menino, o olhar de moço feito
de delírio, de divino, desses de menino moço
Tinha o dom da boa fala, dessas que a gente se cala
e fica sentindo no peiro avontadade de ser a dama
que ele recita em seus versos
Tinha na alma um sorriso sincero e desconcertante,
daqueles que encanta,
maroto e sereno, tão breve e constante
Certa vez esse menino, moço, me chegou tão de repente
mostrando que de menino ele só tinha o jeito maroto
Desses de garoto que faz arte sem saber
Arteiro e encantador, moço, eu, mulher crescida
virei menina-moça nos braços desse poeta
Mas ele não sabe ainda, que essa mulher crescida
só tem mesmo a vontade de ser sua menina
E quando ele vai embora, "ai" que saudade insistente
daquelas de "não demora" que quero ser sua rima
E no mar dos seus poemas
navegar como a aprincesa desses contos de menina
Não sei falar bonito, moço, como esse meu menino
mas não conta nada não...
Não faço poema, nem rima, nem tenho alma de poeta
mas fala pra ele, moço, que se ele quiser eu aprendo
Rimo a estrada dele com a minha,
os sonhos dele com os meus,
e seremos um só poema
esse meu menino e eu"
"Nem sempre tenho as palavras certas na hora certa
por isso me calo...
Nesse meu mundo complexo de erros, acertos, gavetas, extraio minha rouca lógica
Mas aprendi a ser fiel comigo, a respeitar minha insanidade, a trabalhar minhas vontades
Não quero ser a dona da verdade mas não tolero tanto vazio
não entendo a ingratidão de ser o motivo e não respeitá-lo
de se ter o mundo nas mãos e não preservá-lo
de se ser covarde e não se enfrentar...
Percebi que minha decepção é em mim mesma
em querer acreditar na resposta a minha entrega inconsequente
Abraçou-me o orgulho de não poder considerar a falha,
que mais tem cara de falta...
Falta de "nem eu sei o quê" ou tenho medo de encarar
sob pena de me arrepender
Não sou tão radical, extremo mal dos ignorantes
mas permito-me a imperfeição de não digerir esta mágoa
nem tampouco transformá-la numa terrível indigestão
Não tenho resposta mas irei achá-la
pois deve ela ser clara, serena e que satisfaça ao menos este meu impulso ferido
Devo admitir a surpresa e a falta de tato
que se bem pensado, totalmente previsto ou previsível
mas descartado por achar tudo especial demais"
"A primeira vista era saudade
que por ser tão forte machuca e cansa
e chora o pranto de uma criança
tentando esconder a vaidade
Desiste até momento e momento
opina o peito a dor da luta
e a alma cínica não mais escuta
o caminho torpe do sentimento
Hão de ser dias a fio
o véu da tristeza a cobrir-lhe o rosto
e pede severa o fim do desfosto
de um corte maculado em seu brio
Um caminho traçado sem direção
não pede licença ao jovem errante
invade e tormenta a alma amante
craveja a distância no coração
Desritmado e perdido apenas chora
atropela em si mesmo o maior bem
escorrega e escapa o que já não tem
enquanto a angústia afasta-lhe o agora
Silêncio, vazio, desânimo, fim
um verso perfeito que não acha rima
que de tão eterno se perde na cina
de ter como par o oposto de um SIM"
"Portal da alma
desmascara o doce prazer dos sentidos
desejo, uma nudez abstrata
um relato de cúmplice
Nesta expositura lânguida
nada mais íntimo percorreria meus elos
nem a cama que reza tanra insensatez
E de mim consumirias
os mais venais segredos
se soubesses quão me rendo
a entrega de um beijo"
"A boca trêmula, olhar inquieto
e em ti perdi o juízo
por ti calei, amanheci divina, traí a razão
E por que não se de tão querido
transbordei-me em meu peito acanhado jeito
de quem pede atenção
E sem explicação
confiei-me em teus braços
este pedaço de céu
E me encontrei em teu mais
numa vertigem constante da lucidez de quem traz
a alma em suspiro
E neste meu mundo de riscos
de traços e devaneios
nada mais receio
senão tanta paz"